Da odontopediatria para a ortodontia: por que essa transição é tão natural
A passagem da odontopediatria para a ortodontia é uma das transições mais naturais da odontologia. O odontopediatra já tem o paciente na cadeira, já sabe condicionar criança e já vê a má oclusão se formando. O que falta é dar o próximo passo: em vez de encaminhar esse paciente, tratar ele. Aqui eu conto por que eu vejo tantos odontopediatras fazendo esse caminho, e como começar.
A odontopediatria é uma especialidade pouco valorizada
Eu falo isso com todo o respeito por quem faz odontopediatria: é uma especialidade que não recebe o reconhecimento que merece. O odontopediatra tem muita dificuldade nos procedimentos porque a criança é muito nova e nem sempre ajuda.
Dá para condicionar muito bem uma criança. Mas algumas coisas precisam ser feitas na urgência: o menino está com dor, precisa abrir um dente, fazer um canal, uma restauração. E às vezes a criança não tem maturidade para aceitar o tratamento, e o comportamento foge do esperado.
E aí vem a parte mais injusta: os pais muitas vezes não valorizam o esforço sobre-humano que é tirar o dente de uma criança chorando. O odontopediatra consegue fazer o procedimento, e o pai sai insatisfeito porque a criança chorou ou deu trabalho.
O valor dos procedimentos é baixo
Além do reconhecimento, existe a questão financeira. O ticket médio dos procedimentos de odontopediatria é baixo, e é difícil ter um tratamento de alto valor dentro de um consultório só de odontopediatria.
- Consulta de orientação: dá para cobrar, mas não é uma tarefa fácil. Uma parte das famílias aceita, outra não.
- Limpeza e prevenção: existe um preço máximo de mercado, então não dá para subir muito.
O paciente de ortodontia já está na sua cadeira
Mesmo quem ama a odontopediatria e faz muito bem vai ter, mais cedo ou mais tarde, um paciente que precisa de ortodontia. E esse paciente já é seu: você já pagou para conquistar essa família, seja com marketing, seja por indicação. O custo de aquisição já foi. A criança já está condicionada com você.
Nesse momento você tem duas escolhas:
- Encaminhar para outro profissional, que muitas vezes não indica ninguém de volta para você.
- Fazer a próxima etapa: agregar um tratamento novo, recorrente e de valor maior, que resolve o problema dessa criança.
Um exemplo de ortodontia que começa na infância: como prevenir o canino retido antes de precisar tracionar.
Mais satisfação e mais reconhecimento
Quando o odontopediatra começa a corrigir a má oclusão, alinhar os dentes e devolver a estética, naturalmente ele começa a se sentir mais valorizado. É muito mais gostoso instalar um aparelho e ver um dente alinhar do que fazer uma restauração classe II subgengival numa criança, uma abertura ou a extração de um dente de leite.
Por isso ele passa a escolher os procedimentos de ortodontia:
- Satisfação profissional: o trabalho é mais gostoso de fazer.
- Reconhecimento financeiro: o tratamento tem um valor maior e é recorrente.
- Reconhecimento do resultado: a família vê a transformação no sorriso.
O odontopediatra vira um ortodontista diferenciado
Quem vem da odontopediatria chega na ortodontia com uma vantagem que muito ortodontista não tem: é muito habilidoso com criança. A habilidade de condicionamento que ele treinou anos na odontopediatria faz toda a diferença no atendimento de ortodontia infantil, na ortodontia preventiva e interceptativa e na fidelização da família.
Como começar
O caminho é o mesmo de qualquer dentista que está começando: diagnóstico, planejamento, colagem e alinhamento e nivelamento, nessa ordem. E a mentalidade também: primeiro começa, depois melhora. Eu detalho isso, junto com a meta dos 100 pacientes de ortodontia, em como começar na ortodontia e sair da clínica geral.
Planejamento de um caso infantil: como evitar o canino retido e tratar a agenesia de incisivo inferior.
O primeiro passo para o odontopediatra entrar na ortodontia
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Perguntas frequentes
Odontopediatra pode fazer ortodontia?
Pode. O dentista pode atender ortodontia; só não pode se apresentar como especialista em ortodontia sem o título registrado. O que garante um bom resultado é formação de qualidade e casos bem planejados.
Qual a diferença entre ortodontia preventiva e interceptativa?
A preventiva atua para evitar que uma má oclusão se instale. A interceptativa atua numa má oclusão que já começou a se formar, para impedir que ela piore enquanto a criança cresce.
Por que a transição da odontopediatria para a ortodontia é natural?
Porque o odontopediatra já tem o paciente, já sabe condicionar criança e já vê a má oclusão se formando. Tratar esse paciente em vez de encaminhar traz mais satisfação, um tratamento de maior valor e mais reconhecimento pelo resultado.